Incontinência Urinária e Botox

Incontinência Urinária: Tratamento com Botox?

 

     A incontinência urinária é diferente no homem e na mulher. Enquanto no homem ela geralmente está relacionada à doença benigna da próstata – a hiperplasia prostática benigna – ou a procedimentos cirúrgicos prévios, na mulher ela ocorre com uma frequência muito maior e tem causas diversas.

 

     Neste texto, nos ateremos à incontinência urinária feminina. Num segundo tempo, a depender do interesse de nossos leitores, explicaremos a fundo a patologia no homem.

 

     Seguindo o raciocínio da frase inicial, devemos dizer que não existe apenas um tipo de incontinência urinária. Mas qual a importância disso? O grande ponto aqui consiste no diferente tipo de abordagem e tratamento para cada tipo de incontinência. As queixas clínicas podem ajudar a diferenciar os diversos tipos de incontinência, mas o exame urodinâmico é quem dá a resposta definitiva ao médico urologista.

 

     O tipo mais comum e frequente de incontinência urinária feminina é a de esforço, aquela que tem como fatores de risco o parto, e não apenas o parto cesárea. Nesse tipo, a mulher tende a perder alguma quantidade de urina quado tosse, pega peso, se levantar, ou mesmo no simples ato de rir. Uma mobilidade exacerbada do canal urinário feminino – a uretra – é o principal fator que propicia a ocorrência destas perdas. Nesse caso, o problema pode ser tratado com fisioterapia, mas tem na cirurgia conhecido como “SLING” a maior chance de cura. Essa cirurgia é minimamente invasiva, com curtíssimo tempo de internação. Apenas deve ser feita por médico treinado para tal.

 

     O segundo tipo de incontinência, diferente do primeiro, é a por urgência. Sabe aquela sensação de ter que sair correndo para ir ao banheiro? O famoso estar “apertado”? Trata-se da contração da bexiga. Algumas mulheres não conseguem chegar a tempo no toalete, o que piora muito a qualidade de vida das mesmas. Em alguns casos, a pessoa pode até perder urina sem perceber. Esse tipo de incontnência está relacionado com uma contração involuntária da musculatura da bexiga. Seu tratamento, a princípio, não deve ser cirúrgico, mas sim medicamentoso. Em casos refratário, a injeção de toxina botulínica – o famoso BOTOX - na musculatura vesical por meio de cistoscopia tem resultados surpreendentes, mas nem sempre duradouros. Novamente, apesar de super especializado, é tratamento pouco invasivo e com baixíssimas taxas de complicação.

 

     Existem outros tipos de incontinência, e o de tratamento mais complexo é aquela onde a própria musculatura do esfíncter urinário, o qual não nos deixa perder urina, está compromtida. Nesse caso, o tratamento clínico e fisioterápico deve ser combinado com o cirúrgico, através de procedimento de injeção de alguns tipos de substância nessa musculatura para diminuição das perdas.

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Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP