Próstata e Laser

Laser para Tratamento da Próstata?

 

        Por diversas vezes já fui indagado por pacientes, colegas, amigos e familiares: Existe tratamento a laser para a próstata? A resposta é simples: sim, existe! Chegamos nessa modernidade. Mas antes de falar do laser em si, gostaria de esclarecer alguns mitos sobre a próstata. Aqueles aspectos que todos querem entender e nunca tiveram coragem de perguntar a seu médico...

 

       Em primeiro lugar, precisamos deixar claro que a próstata pode ser um problema na vida do homem independentemente do aparecimento de câncer, e isso muita gente não sabe. O câncer de próstata (CaP) é a neoplasia mais comum no homem, acometendo 32% dos homens entre 30-40 anos e até 80% dos homens entre 70-80 anos. Já a doença benigna da próstata, a famosa Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), é mais frequente e tem prevalência em torno de 10% na terceira década de vida e 90% nos indivíduos com mais de 90 anos de idade.

 

       Segundo aspecto, não menos importante, enquanto o CaP é diagnosticado por meio do toque retal e do PSA no sangue, sendo geralmente assintomático, a HPB deve ser investigada clinicamente, pelos sinais e sintomas do indivíduo. Assim, toque retal e PSA normais não significam necessariamente que tudo está ótimo, eles excluem o câncer e não a HPB. E como os homens em geral não costumam se queixar aos seus entes próximos no tocante aos sintomas urinários, o médico urologista deve sempre indagar sobre o padrão miccional de seu paciente. Os principais sintomas do HBP são conhecidos como “prostatismo”: esforço para urinar, demora ao iniciar o jato urinário, jato fraco e interrompido, esvaziamento incompleto da bexiga, urgência, aumento do número de micções, acordar à noite com frequência para urinar, e até incontinência urinária. Os pacientes com manifestações clínicas da HBP devem ser submetidos a uma avaliação mínima que inclui toque digital da próstata, exame neurológico perineal, análise da urina, e exames de sangue como a creatinina que mede a função renal e o PSA. Exame de ultrassonografia deve idealmente ser solicitada a fim de se avaliar os rins, as vias urinárias e o tamanho real da próstata. Ainda, pode-se fazer uso de estudo do fluxo urinário em casos duvidosos. Interessante saber que o tamanho da próstata não tem relação direta com os sintomas.

 

      Terceiro aspecto, entramos agora no tratamento. O tratamento da HBP é feito com o objetivo de aliviar os sintomas clínicos e corrigir potenciais complicações relacionadas com a obstrução prostática. Vejam, o tratamento não objetiva a diminuição do tamanho prostático ou do PSA como muitas pessoas pensam. Temos de tratar o que aflige o paciente, não friamente os exames do mesmo. Brevemente, as principais medicações para o tratamento da HPB utilizadas hoje em dia são:- bloqueadores alfa-adrenérgicos – agem da musculatura lisa (doxazosina e tansulosina); ajudam a relaxar a próstata e a bexiga, facilitando a micção, não diminuem o tamanho da próstata; rápida ação; os principais inconvenientes são possíveis quadros de queda de pressão, tontura, congestão nasal e diminuição do volume ejaculado; não influenciam a ereção ou o orgasmo.- bloqueadores da 5-alfa-redutase - agentes antiandrogênicos (finasterida e dutasterida); ajudam a diminuir o volume da próstata em 15%-30%; demora de 3 a 6 meses para início da ação; muito usado em conjunto com os alfa-bloqueadores em casos de próstata volumosa; maior efeito colateral é a disfunção sexual por queda da libido e da qualidade da ereção.- fitoterápicos; utilizados há muitas décadas, mas sem estudos bem desenhados demonstrando sua eficácia; seguros.

 

      Já o tratamento cirúrgico é obrigatório em casos de retenção urinária de recorrente, dilatação da via urinária com piora da função renal, infecção urinária recorrente, sangramento urinário refratário, incontinência urinária paradoxal e cálculo na bexiga. Outra indicação seria a intolerância ao uso da medicação ou desejo de suspendê-la. Cerca de 5% e 20% dos homens acabam sofrendo intervenções cirúrgicas para aliviar as manifestações clínicas da doença. E é aqui que se encaixa o laser! Estando indicado o tratamento, o tamanho da próstata finalmente ganha importância pelo seguinte motivo: o tratamento clássico por meio da ressecção transuretral da próstata (RTU-P), a famosa “raspagem”, pode idealmente ser indicada para próstata de até 80-100g de volume. Acima disso, deve-se cogitar o tratamento com cirurgia pelo abdôme, seja aberta ou por vídeo. A chance de sucesso desses procedimentos gira em torno de 90%. Os principais riscos são de estreitamento da uretra após a cirurgia, evento que ocorre com frequência menor que 1%, e o sangramento com necessidade eventual de transfusão sanguínea, que chega a 1-5%. Pacientes em uso de anticoagulantes ou anti-agregantes plaquetário (ex: AAS) têm risco aumentado. Como podem ver, não comentei sobre risco de importência ou incontinência, pois apesar da crendice popular são eventos raríssimos após esses tipos de cirurgia prostática.

 

     Mas e o laser? Existem diversos tipos de laser para traramento da próstata, sendo o mais utilizado o laser para vaporização prostática. O laser tem papel no tratamento de próstatas não muito volumosas, de até 100g apesar de já ter sido utilizado com sucesso em casos de próstata maiores. O tratamento com laser representa um avanço para pacientes que fazem uso de drogas anticoagulantes ou AAS, como os cardiopatas. Diferentemente da RTU-P, não há necessidade de se suspender o uso dessas medicações para realização da cirurgia, pelo mínimo sangramento que a cirurgia gera. Enquanto na RTU-P o paciente permanece inernado com sonda vesical de 2 a 3 dias, com o laser o catéter é retirado em 1 a 2 dias. O tempo de recuperação em geral é até mais rápido do que com a RTU-P, a maioria dos pacientes retorna às suas atividades normais dentro de poucos dias. Mas atenção. O laser deve ser aplicado por médico urologista treinado para tal. Assim, há menor chance de complicações e maior chance de sucesso!

 

     Finalmente, temos a questão custo: por ser terapia mais moderna recentemente implantada em nosso país, o custo é superior ao da cirurgia convencional, principalmente pelo valor da própria fibra do laser. Tudo isso deve ser discutido entre médico e paciente ao cogitar-se esse tipo de terapia.

Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Dr. Giovanni Scala Marchini - UROLOGIA

Rua Barata Ribeiro, 380 -  cj. 74 - CEP 01308-000

São Paulo, Brasil - Tel [11] 2768-4552;

WhatsApp [11] 96649-1639
Email: marchinism@gmail.com